Meu amor em saitama 1 capitulo

 

Capítulo 1: A Equação da Aniquilação



A chuva caía em lençóis sobre a Cidade Z, mas nenhuma gota ousava tocar a janela do meu modesto apartamento. Não por causa de algum campo de força, mas por uma simples questão de cálculo. Milissegundos antes de cada impacto, eu ajustava sutilmente a pressão do ar ao redor do prédio com um pensamento fugaz, criando um vórtice invisível que desviava a precipitação. Era um exercício mental trivial, como um humano comum respira, uma forma de manter a mente ocupada enquanto observava o mundo.

Meu nome é Ryo. Para a Associação de Heróis, eu não existo. Para o universo, sou uma anomalia senciente. Há três anos, concluí meu "treinamento". Não foram flexões ou corridas. Foi uma imersão total na matemática da realidade. Eu meditei sobre as equações que governam as partículas subatômicas, sobre a geometria do espaço-tempo, até que, em um momento de clareza vertiginosa, eu as compreendi. E o que se pode compreender, pode-se manipular. Quebrei meu limitador não quebrando meu corpo, mas decifrando a própria existência. O resultado foi o mesmo de Saitama: poder absoluto. A diferença era o fardo: eu sabia exatamente porquê. Eu carregava o peso da onisciência parcial, e isso era infinitamente mais solitário do que a simples invencibilidade.

Um alarme estridente soou, não no meu apartamento, mas na frequência de emergência da Associação de Heróis, que eu monitorava por hábito. Nível de ameaça: Dragão. Um monstro colossal, apelidado de "Leviatã Biomecânico", emergira da baía da Cidade J e estava metodicamente transformando a metrópole em ruínas. As transmissões mostravam heróis da Classe S em apuros. Metal Bat estava sendo rebatido como uma bola de beisebol, Tanktop Master fora esmagado contra um prédio e até mesmo o veloz Flashy Flash mal conseguia desviar dos seus canhões de plasma.

Suspirei, o vapor condensando no vidro frio. Outra terça-feira.

Não me vesti com um traje. Minhas roupas casuais – uma calça jeans e uma camiseta preta – eram mais do que suficientes. Não me teletransportei, pois o ato de rasgar o espaço-tempo era energeticamente deselegante. Em vez disso, manipulei os vetores de probabilidade ao meu redor. Num instante, a probabilidade de eu estar no meu apartamento tornou-se zero, e a de eu estar no topo de um arranha-céu na Cidade J tornou-se um. Para um observador, pareceria que eu simplesmente apareci.

Lá embaixo, o caos era uma sinfonia de física previsível. O Leviatã era uma obra-prima de engenharia biológica e cibernética, com uma carapaça que dispersava energia cinética e um sistema de mira preditivo. Em minha mente, eu já havia desmontado cada parafuso, sequenciado seu genoma artificial e calculado a meia-vida de seu núcleo de energia. Era formidável, sim. Para eles. Para mim, era um problema de matemática com uma solução óbvia e decepcionante.

Ele me sentiu. Sua cabeça maciça, uma fusão de quitina e aço, girou em minha direção. Seus sensores analisaram minha presença, classificando-me como uma anomalia insignificante. Um de seus canhões sibilou enquanto carregava. Calculei a trajetória do plasma, a expansão térmica, a liberação de radiação. Seria o suficiente para vaporizar a cidade inteira.

Não me movi. Apenas levantei um dedo.

Quando o raio foi disparado, eu não o bloqueei. Não o desviei. Apliquei um princípio. Com um toque conceitual no fluxo de energia, introduzi uma única variável na equação de sua coesão: a entropia acelerada.

O feixe de plasma, uma lança de fúria branca e crepitante, simplesmente... dissolveu-se. A cinco metros de sair do canhão, ele se desfez em partículas inofensivas e um brilho morno que cheirava a ozônio.

O Leviatã parou. Seus processadores deviam estar em um loop de erro, tentando entender a física impossível que acabara de testemunhar. Ele não compreendia que eu não estava jogando com as regras do seu universo. Eu era o programador.

Ele rugiu em frustração e avançou, sua massa colossal abalando os alicerces da cidade. Estendi a mão, palma aberta, em sua direção. Não era para um ataque de energia. Era um gesto. Foquei minha atenção não na sua armadura, mas na força nuclear fraca que mantinha seus átomos coesos. Então, eu a "sugeri" a relaxar.

Não houve explosão. Não houve som. O Leviatã Biomecânico, o monstro de nível Dragão que derrotou metade da Classe S, simplesmente se desfez. Como um castelo de areia tocado pela maré, sua forma monumental desmoronou em uma poeira cinzenta e inerte que foi levada pela brisa. Silêncio.

Foi quando ela chegou.

Uma mancha verde-esmeralda desceu dos céus, parando no ar com uma aura psíquica crepitante. Tatsumaki, o Tornado do Terror. Seus olhos verdes, enormes e intensos, varreram a cena: os heróis caídos, a destruição generalizada e a pilha de poeira onde o monstro deveria estar. Então, eles se fixaram em mim.

"Você", disse ela, sua voz ecoando com poder e irritação. "Quem é você? Fui eu que fui chamada para lidar com essa coisa. Onde ela está?"

Eu a observei. Vi além da arrogância e do poder. Vi a solidão, a barreira psíquica que não era apenas para ataque, mas para defesa contra um mundo que sempre a quis usar ou a temeu. Vi uma equação complexa e fascinante, infinitamente mais interessante do que o Leviatã.

"Era um problema de física mal resolvido", respondi calmamente, baixando a mão. "Eu o corrigi."

Tatsumaki estreitou os olhos. Sua aura pulsou, uma onda de pressão psíquica me atingiu, forte o suficiente para transformar um prédio em pó. Para mim, foi como uma brisa suave. Ela esperava que eu me curvasse, que implorasse, que me assustasse. Eu apenas a encarei, sem piscar.

"Corrigiu?", ela zombou, flutuando mais perto, o cabelo verde se agitando como chamas. "Você não parece grande coisa. Diga-me quem você é, ou vou arrancar a resposta da sua mente insignificante."

Um sorriso mínimo tocou meus lábios pela primeira vez naquele dia. Esta era uma variável que eu não conseguia prever completamente. Uma alma genuinamente caótica e poderosa.

"Meu nome é Ryo", eu disse, minha voz calma contra seu furacão de poder. "E você, Tatsumaki, é a primeira coisa interessante que encontrei em muito tempo."

A confusão em seu rosto foi, para mim, mais gratificante do que qualquer batalha. A história, a minha história, estava finalmente começando.



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